Cadeirantes enfrentam superlotação e falta de Transporte Eficiente da zona Leste de Teresina
Os usuários do serviço relataram dificuldades para agendar viagens, perda de consultas e compromissos após mudança na empresa responsável pelo serviço.
Cadeirantes que residem na zona Leste de Teresina que dependem do Transporte Eficiente denunciaram ao Viagora uma série de problemas que estariam comprometendo a mobilidade de pessoas com deficiência na capital. Os usuários do serviço afirmaram que enfrentam atrasos frequentes, dificuldades para realizar agendamentos, superlotação e insuficiência de veículos para atender à demanda da região.
As reclamações ganharam força após a mudança da empresa responsável pela operação do sistema. Embora a Prefeitura de Teresina tenha informado recentemente que o Transporte Eficiente registrou um aumento de quase 20% nos atendimentos realizados após a adoção de medidas para aprimorar a operação, os usuários afirmam que a realidade enfrentada diariamente é diferente da divulgada.
Uma das pessoas afetadas é a estudante universitária Samara Sales, moradora do bairro Pedra Mole. Ela relata que os atrasos passaram a comprometer diretamente sua rotina acadêmica na Universidade Federal do Piauí (UFPI).
Segundo Samara, antes da mudança na gestão do serviço, era possível agendar o transporte às 8h para chegar ao campus com antecedência suficiente para as aulas que começam às 10h. Atualmente, a estudante afirma que passou a chegar à universidade quando a aula já está próxima do fim.
“O transporte eficiente sempre teve seus problemas, mas depois que essa nova empresa assumiu a gestão, as coisas pioraram ainda mais. Eu agendava para as 8 horas e chegava com uma hora de antecedência. Agora eu estava chegando às 11h30, às 11h40, praticamente no final da aula”, relatou.
Para tentar minimizar os impactos, ela passou a solicitar o transporte para as 6h da manhã, mesmo tendo compromissos apenas às 10h.
Além dos atrasos, Samara denuncia problemas estruturais nos veículos utilizados. “O carro está totalmente sucateado. A rampa está quase caindo, oferecendo risco de acidente. Já reclamamos várias vezes e parece que estão esperando acontecer alguma coisa para resolver”, afirmou.
A estudante também aponta dificuldades para conseguir agendar as viagens. De acordo com ela, a procura pelo serviço aumentou e o número de atendentes responsáveis pelos agendamentos não acompanha a demanda.
“Hoje todo mundo liga ao mesmo tempo para conseguir vaga. São apenas duas pessoas trabalhando com os agendamentos e isso gera um congestionamento enorme. Muitas vezes a gente não consegue marcar o transporte”, disse.
Samara afirma ainda que usuários têm buscado diálogo com os órgãos responsáveis, mas alegam não receber respostas efetivas. “Nós estamos sempre ligando, tentando entrar em contato, explicando a situação e pedindo mais carros. O que sentimos é que estamos sendo ignorados”, declarou.
Outra usuária que relata dificuldades é a paratleta Oziane, de 34 anos, moradora da zona Leste. Cadeirante e atleta de parabadminton, ela depende diariamente do Transporte Eficiente para se deslocar até seus treinamentos e atividades de preparação física.
Segundo a esportista, a falta de vagas tem impedido a continuidade de sua rotina de treinamentos. “Hoje mesmo fui agendar para amanhã e já não tinha mais horário para seis horas da manhã, nem para oito horas, nem para onze horas. Isso acontece por causa da superlotação e porque existe apenas um carro para atender toda a zona Leste”, contou.
Oziane afirma que a situação compromete diretamente sua preparação esportiva. “Amanhã eu já não vou conseguir ir para a academia porque não consegui vaga. Vou ficar sem meu treinamento”, lamentou.
Ela destaca ainda que outras regiões da cidade possuem mais veículos disponíveis para atendimento, enquanto a zona Leste continua operando com apenas um. “Na Zona Norte e na Zona Sul existem dois carros. Aqui eles dizem que não há necessidade, mas quem usa o serviço diariamente somos nós”, argumentou.
A cadeirante Lucilene Mendes também relatou que os problemas se intensificaram nos últimos três meses, período que coincide com a troca da empresa responsável pelo transporte.
Segundo ela, a demanda de usuários cresce constantemente, mas a quantidade de veículos permanece a mesma. “A demanda aqui na zona Leste só aumenta. Cada dia entra mais cadeirantes e continua sendo apenas um ônibus para atender toda a região, incluindo a Nova Teresina”, afirmou.
Lucilene relata que os atrasos são frequentes e que usuários acabam perdendo consultas e tratamentos médicos importantes. “Se a gente marca para seis horas da manhã, às vezes o ônibus aparece às oito. Já fiquei esperando e ele simplesmente não apareceu por conta da demanda”, disse.
A situação tem gerado gastos extras para quem depende do serviço. A cadeirante conta que já precisou recorrer a aplicativos de transporte para não perder consultas especializadas. “Minhas consultas são no Hospital Universitário. Já paguei cinquenta reais de Uber porque não podia faltar. Eu não tenho condições de ficar gastando esse dinheiro”, relatou.
Ela também afirma que diversos usuários estão sendo prejudicados, especialmente crianças que realizam tratamentos no Centro Integrado de Reabilitação (Ceir). “Tem muitas crianças perdendo terapia por falta de transporte. Quando o Ceir marca uma consulta, a gente precisa estar lá. Se faltar, corre até o risco de ser excluído do acompanhamento”, alertou.
Diante das reclamações, os usuários do sistema pedem que o poder público amplie a frota destinada à zona Leste e adote medidas para reduzir os atrasos e melhorar o sistema de agendamento.
Outro lado
A reportagem procurou a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) para falar sobre o assunto, mas até o fechamento da reportagem não obtivemos resposta.
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