Campanha da Fraternidade 2026 com foco na moradia é lançada em Teresina
O lançamento reúne autoridades civis e religiosas e reforça compromisso com políticas públicas de habitação.
A manhã desta quinta-feira (19), foi marcada pelo lançamento oficial da Campanha da Fraternidade 2026, realizada na Residência Episcopal, localizada na avenida Frei Serafim, em Teresina. Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a iniciativa propõe à Igreja e à sociedade uma reflexão profunda sobre a moradia como condição essencial para a dignidade humana.
Promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Campanha da Fraternidade é tradicionalmente vivida durante a Quaresma como um tempo de conversão, reflexão e compromisso social. Em 2026, o foco recai sobre uma das questões sociais mais urgentes da atualidade: o direito à moradia digna.
Déficit habitacional preocupa
Dados apresentados durante a coletiva evidenciam a gravidade do problema. No Brasil, cerca de 6,2 milhões de famílias não possuem moradia adequada, e aproximadamente 328 mil pessoas vivem em situação de rua. No Piauí, o déficit habitacional é de 124,8 mil domicílios, o equivalente a cerca de 12,1% das moradias ocupadas no estado, segundo a Secretaria de Planejamento (Seplan).
Em Teresina, a estimativa da Prefeitura aponta para um déficit entre 35 mil e 40 mil moradias. A moradia digna, segundo os organizadores, é a porta de entrada para outros direitos fundamentais, como saúde, segurança e educação.
O arcebispo de Teresina, Dom Juarez Marques, ressaltou que já há ações por parte do poder público, mas que ainda são insuficientes diante da complexidade do problema.
“Falta um olhar do poder público para essas pessoas? Eu diria que já há muitas iniciativas nesse sentido, mas não são suficientes. Faltam pressupostos básicos, como a regularização fundiária. Muitas vezes um grande projeto não encontra suporte sequer para reconhecer uma propriedade, seja rural ou urbana”, afirmou.
O arcebispo também defendeu a criação de uma agenda social estruturada. “Precisamos proporcionar um protocolo social que garanta o direito das pessoas tanto nas comunidades quanto nas pequenas propriedades. É fundamental favorecer a agricultura familiar e evitar a migração forçada, seja dentro do estado ou para outras regiões do país.”
Governo do Estado destaca articulação institucional
Representando o governador Rafael Fonteles, Núbia Lopes reforçou que garantir moradia é uma missão institucional compartilhada entre poder público e sociedade civil.
“Trabalhamos para que cada cidadão tenha garantida a sua dignidade humana. Isso é um dever institucional de cada um de nós”, afirmou.
Ela destacou ainda a importância da articulação com os municípios. “A questão dos projetos e do cadastramento é responsabilidade do município, e nós, enquanto Governo do Estado, fazemos esse trabalho de escuta das organizações e das famílias, articulando com os órgãos responsáveis para garantir que essas políticas cheguem a quem precisa”, finalizou.
Prefeitura projeta ampliação de moradias
O prefeito de Teresina, Silvio Mendes, afirmou que a habitação é uma das prioridades da gestão municipal. “É uma das prioridades que a gente tem. No ano passado conseguimos entregar pouco mais de 1.080 moradias, diante de um déficit de cerca de 35 mil”, disse.
Segundo o prefeito, a prefeitura contratou dez engenheiros e arquitetos para elaborar novos projetos habitacionais e disponibilizar terrenos municipais, com o objetivo de reduzir custos. “Estamos ampliando a equipe para aumentar o número de projetos. A nossa expectativa é conseguir viabilizar até 10 mil novas casas”.
O vereador João Pereira, esteve presente como representante da Câmara Municipal, e destacou a importância da união entre Igreja e poder público.
“O que importa é fortalecer a democracia respeitando o espaço de cada um. A Câmara Municipal pretende fazer essa parceria com a Igreja Católica para ajudar nesse tema tão relevante”, afirmou.
O parlamentar ressaltou que o déficit habitacional na capital é expressivo. “Há mais de 50 mil moradias faltando em Teresina. Por mais que os programas sociais avancem, ainda existe um público que não tem condições de ter sua casa. É esse público que estamos defendendo”, contou.
Ele também destacou que as ocupações urbanas são reflexo direto da falta de opções. “Para ter dignidade, a primeira coisa que o cidadão precisa é um pedaço de terra para construir sua casa. Não importa o tamanho. A dignidade começa ali”, afirmou o vereador.
A coletiva contou ainda com a presença da Defensora Pública Geral do Piauí, Carla Yáscar, do coordenador do Setor de Campanhas do Regional, professor José Neto, além de outras lideranças religiosas e representantes da sociedade civil.
Ao longo do período quaresmal, a Arquidiocese de Teresina deve promover debates, encontros e ações concretas voltadas à conscientização e ao enfrentamento do déficit habitacional.
A Campanha da Fraternidade 2026 convida fiéis e sociedade a reconhecer que a falta de moradia não é apenas uma carência material, mas uma expressão da exclusão social e da negação da dignidade humana, e que enfrentar essa realidade é um compromisso coletivo.
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