Especialistas apontam que autistas podem desenvolver autonomia com psicoterapia
A ação, integrada a psicoterapia e tantos outros movimentos que envolvem o TEA, se articula para garantir mais igualdade social e reforçar a importância do diagnóstico adequado.
O Dia Mundial de Conscientização do Autismo é celebrado anualmente em 2 de abril e reforça a importância do do diagnóstico adequado, garantindo qualidade de vida da infância à fase adulta.
O médico psiquiatra Victor Elmo Gomes afirmou que diagnosticar não é rotular, mas reconhecer um modo de funcionamento do neurodesenvolvimento e explicou que a psicoterapia traz autonomia para os autistas.
“Quando esse reconhecimento acontece, conseguimos oferecer intervenções mais individualizadas, orientar melhor a família e reduzir sofrimento secundário, especialmente aquele relacionado à incompreensão, estigmatização e expectativas inadequadas em relação ao desenvolvimento e ao desempenho da pessoa”, pontuou.
O estudante do 4º período do curso de Medicina, Abson Josué Soares, é uma pessoa com TEA nível 1 de suporte. Ele relatou que sua mãe e uma amiga da família sempre acompanharam de perto seu tratamento, contribuindo positivamente para sua trajetória.
“As pessoas do meu convívio na faculdade são bem inclusivas e abertas ao novo. Todas se adaptaram muito bem e não tratam o autismo como um empecilho, mas como uma característica minha e que não define quem eu sou”, ressaltou.
A psicóloga Karol Pessoa destacou que a psicoterapia para pessoa com TEA é relevante porque atua em áreas centrais do transtorno, como o desenvolvimento emocional e social. “Dessa forma, as intervenções psicológicas ajudam a desenvolver essas habilidades, favorecendo a adaptação social e a autonomia. O suporte psicológico contribui para manejo de ansiedade e frustração; redução de comportamentos agressivos ou de isolamento; e desenvolvimento de estratégias de autorregulação”, explicou.
Segundo a psicóloga, a família também é impactada, pois pode apresentar sintomas emocionais como níveis elevados de estresse; ansiedade e depressão; sentimento de culpa, frustração e sobrecarga.
“Outro ponto a ser citado é a sobrecarga do cuidado. O cuidado contínuo de uma pessoa com TEA pode alterar a rotina familiar, gerar sobrecarga física e emocional, impactar relações conjugais e sociais. Por isso, a necessidade de acolhimento e orientação mostra que o momento do diagnóstico é crítico emocionalmente e que o suporte profissional adequado melhora a adaptação da família e do paciente”, finalizou.
Transtorno do Espectro Autista (TEA)
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